15 minutos de poder

15 minutos

Certa vez um anjo aprendiz perguntou para o seu mentor:
– O que aconteceria se as pessoas tivessem o mesmo poder que nós?
– Depende, anjinho.
– Depende do quê, mestre?
– Venha, vou-lhe mostrar.

O anjo mais experiente levou o novato à uma área rural, procurou dois lavradores pobres que fossem vizinhos e disse:
– Está vendo aqueles dois pobres lavradores? Pois, bem, vou dar 15 minutos do nosso poder para cada um deles. Vamos ver o que acontece.

E assim se fez.

Casualmente, um bando de pássaros famintos começou a voar para lá. Um dos lavradores disse:
– Por favor, passarinhos, ainda não! Deixa primeiro eu colher a minha plantação, daí, sim, vocês podem vir e comer à vontade. Vai sobrar muita comida pra vocês.

Então, como num passe de mágica, seu milho amadureceu em segundos, debulhou-se e ensacou-se sozinho e os passarinhos desceram e começaram a comer as sobras da colheita. Assustado, ele correu pra casa. Contou tudo para a mulher.
– Foi um milagre, disse ela, agora podemos reformar a nossa casinha, que está quase caindo de tão velha.

– Sim, meu amor, vamos reformar a nossa casa.

Então, novamente, como num passe de mágica, sua casa velha reformou-se numa belíssima casa de campo.

Minutos depois ele ouviu alguém pedir socorro:
– Cumpadre, me ajude, pelamor de Deus.

– O que foi, cumpadre? O que está acontecendo?

– Eu não sei, cumpadre, tudo que eu falo acontece.

– Eu também, cumpadre, isso não é maravilhoso?

– Maravilhoso coisa nenhuma, cumpadre. Um bando de pássaros famintos tava vindo em minha direção e eu disse: “Bicharada desgraçada. Vocês de novo, atacando a minha lavoura? Tomara que seque tudo e vocês morram de fome!” Naquele exato momento minha lavoura secou-se diante dos meus olhos e os pássaros morreram.

Corri pra casa, assustado, contei pra mulher, que disse que isso é coisa de olho-gordo. Eu perguntei: “Olho-gordo porquê, muié, a gente é tão pobre. Olhe a nossa casa. Tá caindo aos pedaços. Tenho vontade de meter fogo em tudo isso e procurar emprego na cidade grande”. De repente, cumpadre, a casa incendiou sozinha. Queimou tudo, cumpadre. Quase queimou a gente dentro. Ô, cumpadre, será que a gente podia vir morar aqui com vocês, até conseguir reconstruir nosso barraco?

– Claro, cumpadre, pode ficar aqui o tempo que precisar. A casa agora tá grande!

– É mesmo, cumpadre, não sabia que ocê tinha reformado a sua casa. Ficou bonita! Quando foi?

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