Cinco Milhões por Uma Pérola

O evangelista Walter Schubert relata uma conversão espetacular ocorrida com uma moça japonesa.

Alguns anos antes de começar a Segunda Guerra Mundial, uma jovem da alta sociedade do Japão, onde também pregamos o evangelho eterno, assistiu a uma série de conferências. Seus pais tinham os títulos de conde e condessa e eram relacionados com a mais seleta sociedade japonesa.

A moça era filha única. Havia cursado universidades, e possuía o título de doutora em filosofia. Falava alemão, francês e inglês. Depois de assistir a todas as conferências, e estando plenamente convencida de que só a Bíblia contém a verdade divina, resolutamente abandonou o xintoísmo e abraçou a verdade ensinada pela Igreja Adventista, aceitando incondicionalmente a Jesus como seu Salvador pessoal e passando a guardar o sábado e esperar pela segunda vinda de Cristo.

Quando seus pais tomaram conhecimento de que ela havia mudado de religião, ela passou a enfrentar dificuldades que nenhum de nós é capaz de imaginar. Vivia num palácio como filha única. Nunca havia feito trabalhos domésticos, pois criados lhe prestavam serviços. Estava acostumada a uma vida de luxo.

Um dia o pai a chamou:

– Minha filha, você não pode prosseguir com essa religião cristã adventista. Como pode abandonar o xintoísmo? Você sabe que sou conde, e o que pensará a sociedade e as esferas governamentais quando souberem que você faz parte dessa religião fanática?

Com carinho a filha procurou convencer o pai de que só a Bíblia personifica a verdade divina, e que ela só podia acreditar no Deus conforme revelado neste livro, e em Jesus Cristo nosso Senhor.

Mas o preconceito do pai o impediu de ver a beleza do plano da salvação. E quase diariamente a jovem tinha sérios desgostos, até que o pai lhe disse que se não renunciasse à nova religião teria de abandonar o lar.

A mãe quis intervir em favor da filha, mas não obteve êxito. O pai finalmente lhe disse:

-Você tem duas horas para preparar as malas e abandonar esta casa.

Atribulada, a jovem teve que preparar as malas, sozinha pela primeira vez, pois o pai havia ordenado que ninguém a ajudasse. Aos seus ouvidos ressoavam as palavras de Jesus: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim”, e isso a animou a cantar o hino:

“Minha cruz eu tomo e sigo,

A Jesus eu sempre sigo;

Aonde for, a Ele eu sigo.

Seguirei a meu Jesus.”

Depois de haver reunido todos os pertences, pegou seu dinheiro e o colocou na carteira.

Ao terminar, chegou o pai com a ordem de que levasse ela própria suas malas até o carro que a esperava à saída, e este a conduziu a uma das praças da cidade. Ali, o pai lhe ordenou que descesse e partisse.

Encontrando-se só e perplexa, pôs-se a pensar. Logo lhe veio à mente hospedar-se em um hotel. Assim o fez. De repente, disse a si mesma: “Como sei alemão, francês e inglês, vou dar aulas de línguas para ganhar o meu sustento.” Dito e feito. Alugou um apartamento e pôs um anúncio num dos jornais da cidade. No dia seguinte se apresentaram vários alunos, e ao fim de poucas semanas tinha um número de estudantes que já nem podia atender.

Assim vivia tranquilamente, guardando o sábado como fiel filha de Deus, até que certo dia um carro parou em frente à sua casa, e dele saltou seu venerável pai, com o propósito de vê-la. Abraçou-a e chorando disse:

– Filha, estes três meses que você esteve ausente foi um inferno para sua mãe e para mim. Temos chorado todos os dias, e não podemos mais viver assim. Volte para casa e siga a sua religião. Faça o que quiser, contanto que volte para casa. Só uma coisa lhe peço: quando eu morrer, e isso não vai demorar, porque os médicos me dizem que não sobreviverei a outro ataque de coração, queime incenso ao meu espírito, segundo o rito xintoísta.

Este pedido foi devido ao fato de crerem os xintoístas que morto o pai, seu espírito se transforma numa espécie de divindade intermediária entre seu deus e os filhos. Isso os obriga a queimar incenso em sua honra em certas ocasiões.

A filha respondeu:

– Papai, eu lhe amo muito, como também a minha querida mãe; desejo voltar pra casa, porém não posso prometer o que pede, pois quebraria o primeiro e segundo mandamentos que dizem para eu não ter outros deuses e imagens. Como poderei cumprir o seu desejo, honrando sua imagem como a de uma divindade? Isto é contrário à Bíblia, e não poderei fazê-lo sem cometer pecado.

O pai, um tanto irado, disse:

– Terás que fazê-lo.

A filha respondeu com toda sinceridade e com todo o amor:

– Papai, eu poderia dizer que o farei, mas uma vez que tenha morrido não cumpriria o prometido. O senhor não saberia, mas assim procedendo eu transgrediria o nono mandamento que manda não mentir. Deus exige que eu guarde os Dez Mandamentos, meu querido paizinho, por isso não posso prometer o que me pede. Mas cuidarei do senhor com todo o carinho enquanto viver.

Pela segunda vez o pai quis obrigá-la à força, porém não o conseguiu, e irritado gritou:

– Está bem. Fica deserdada. Adotarei outra filha. Você está morta para nós.

Com efeito, dias depois adotaram outra jovem como filha. Logo após, esse homem morreu repentinamente. Conforme a ameaça feita, ele legou toda a fortuna de cinco milhões de dólares à filha adotiva.

A filha legítima não lamentava a perda da herança. Ao contrário, dizia: “Prefiro a pérola verdadeira da salvação, aos cinco milhões de meu pai.”

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